Saúde Tocantins
Quase 2 mil mortes por infarto, AVC e insuficiência cardíaca acendem alerta no Tocantins
Em 2025, o Brasil registrou 177.810 mortes por infarto e 104.363 por AVC.
24/04/2026 09h04
Por: Gilberto Moraes Fonte: Ascom
Foto: Divulgação

A pressão alta continua avançando de forma silenciosa no Tocantins e já aparece por trás de centenas de mortes evitáveis por infarto e Acidente Vascular Cerebral (AVC). Dados recentes mostram que o problema vai muito além de um diagnóstico comum: trata-se de um dos principais motores das doenças que mais matam — e que, em grande parte dos casos, poderiam ser prevenidas com identificação precoce e acompanhamento adequado.

Em 2025, o Brasil registrou 177.810 mortes por infarto e 104.363 por AVC, segundo levantamento da Organização Nacional de Acreditação com base no Sistema de Informações sobre Mortalidade, do Ministério da Saúde (DATASUS). Somam-se ainda 64.133 óbitos por insuficiência cardíaca, elevando o total para 346.306 mortes por doenças cardiovasculares. Para 2026, os números ainda estão em consolidação, mas seguem em patamar elevado.

No Tocantins, o cenário acompanha essa tendência: foram registrados 982 óbitos por infarto, 632 por AVC e 381 por insuficiência cardíaca. Os dados evidenciam o peso das doenças cardiovasculares no estado e reforçam o papel central da hipertensão como fator de risco.

Doença silenciosa que age antes dos sintomas

A hipertensão arterial é considerada uma doença silenciosa porque, na maioria das vezes, não apresenta sinais perceptíveis. Ainda assim, provoca danos progressivos em órgãos vitais.

“Ela pode causar lesões no coração e no cérebro mesmo antes de qualquer sintoma. Muitos pacientes só descobrem a doença após um evento grave”, alerta o cardiologista Paulo Meirelles.

O especialista destaca que a hipertensão é um fator de risco modificável — ou seja, pode ser controlada. “Quando identificada precocemente e acompanhada corretamente, é possível reduzir de forma significativa o risco de complicações. Mas não deve ser subestimada justamente por ser silenciosa”, afirma.

Diagnóstico precoce: a linha que separa prevenção e tragédia

As Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial, atualizadas em 2025 por entidades médicas, indicam que níveis de pressão acima de 120 por 80 mmHg já estão associados ao aumento do risco cardiovascular.

Na prática, isso significa que esperar sintomas para procurar atendimento pode ser um erro grave.

“A aferição regular da pressão é essencial, mesmo em pessoas que se consideram saudáveis. A prevenção começa antes da doença se manifestar”, reforça o cardiologista.

AVC: reconhecer rápido pode salvar vidas

O Acidente Vascular Cerebral exige resposta imediata. Um dos métodos mais utilizados para identificação precoce é a escala de Cincinnati, adotada pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência.

O teste é simples:

Qualquer alteração — como assimetria facial, fraqueza em um lado do corpo ou fala enrolada — é sinal de alerta para atendimento urgente.

Outros sintomas incluem:

“Diante de qualquer um desses sinais, não se deve esperar. O tempo de resposta é determinante para evitar sequelas e até a morte”, enfatiza Paulo Meirelles.

Tipos de AVC

Falhas no atendimento ainda custam vidas

Apesar de tratável, o AVC ainda enfrenta gargalos importantes no sistema de saúde.

Entre os principais problemas estão:

“Cada minuto perdido no AVC significa perda de função cerebral. Quando o atendimento falha, o impacto pode ser irreversível”, alerta o especialista.

Após a alta hospitalar, a ausência de reabilitação estruturada e a investigação incompleta das causas aumentam o risco de novos episódios.

Infarto: sinais nem sempre são óbvios

O infarto também pode se manifestar de forma diferente do esperado. Os sintomas mais comuns incluem:

Mas há casos em que o quadro se confunde com problemas digestivos.

“Desconfortos como náuseas e indigestão também podem indicar infarto. Muitos pacientes chegam tarde ao hospital por não reconhecerem os sinais”, destaca o cardiologista.

Prevenção ainda é o caminho mais eficaz

O avanço das doenças cardiovasculares no Tocantins e no país expõe uma realidade clara: boa parte das mortes poderia ser evitada com medidas básicas de saúde pública e acompanhamento contínuo.

Entre os principais fatores de risco estão:

“É uma soma de fatores. Quando a hipertensão se combina com outros hábitos e doenças, o risco aumenta exponencialmente”, explica.

Organização do sistema de saúde faz diferença

A adoção de protocolos rigorosos e modelos de qualidade, como os promovidos pela Organização Nacional de Acreditação, tem impacto direto na redução de mortes.

Hospitais com processos estruturados conseguem:

“Quando falamos de infarto e AVC, tempo e precisão fazem toda a diferença. Serviços organizados conseguem agir mais rápido e salvar vidas”, conclui o cardiologista.