Polícia Tocantins
Servidores públicos são investigados por esquema de cobrança ilegal e extorsão no Tocantins
Ação cumpriu mandados de prisão, busca e afastamento de funções públicas.
24/04/2026 09h41
Por: Gilberto Moraes Fonte: Ascom
Foto: Divulgação PCTO

Uma organização criminosa suspeita de atuar na cobrança ilegal de dívidas com ameaças, juros abusivos e uso da estrutura pública foi alvo da Operação Nêmesis, deflagrada na manhã desta sexta-feira (24) pela Polícia Civil do Tocantins, com ações em Palmas e Guaraí.

Coordenada pela 1ª Divisão Especializada de Repressão ao Crime Organizado (1ª DEIC – Palmas), a operação cumpriu quatro mandados de prisão preventiva, seis mandados de busca e apreensão e três decisões judiciais de afastamento de funções públicas pelo prazo de 60 dias.

Como funcionava o esquema

De acordo com a investigação, o grupo operava como uma espécie de “cobrança paralela”, impondo juros considerados abusivos e utilizando intimidação para forçar o pagamento das dívidas. Os crimes apurados incluem usura pecuniária, extorsão qualificada e associação criminosa.

O caso teve início em Guaraí, onde um empresário de 45 anos contraiu um empréstimo com um dos investigados, identificado pelas iniciais F.A.G.A., de 52 anos. Ao longo de mais de dois anos, a dívida cresceu com a cobrança de juros mensais que chegavam a R$ 4 mil, tornando-se impagável.

Mesmo após a venda do estabelecimento comercial da vítima, o grupo não reconheceu a quitação do débito, mantendo as cobranças.

Escalada de ameaças e invasão

A situação se agravou após o empresário se mudar para Palmas e abrir um novo negócio. Segundo a Polícia Civil, no dia 25 de fevereiro de 2026, o estabelecimento foi invadido por integrantes do grupo, que fizeram cobranças mediante grave ameaça.

Durante a ação, houve intimidação armada, com exibição ostensiva de arma de fogo e ameaças diretas à mãe do empresário, de 65 anos.

Envolvimento de servidores públicos

Entre os investigados estão R.P.V.S., de 36 anos, servidor público contratado; D.L.B.J., de 30 anos, e V.R.S., de 47 anos, ambos servidores públicos efetivos.

As investigações apontam que eles teriam utilizado suas funções para constranger as vítimas. Um dos investigados chegou a simular o registro de ocorrência policial como forma de dar aparência de legalidade à cobrança.

Além disso, a apuração indica que o grupo possuía divisão de tarefas bem definida, com atuação coordenada entre liderança, articulação logística e execução das cobranças.

Decisões judiciais

Com base em provas como mensagens, registros audiovisuais e depoimentos, o Poder Judiciário autorizou as prisões preventivas e o afastamento dos servidores.

Segundo a decisão, as medidas foram necessárias diante do risco à ordem pública e à instrução criminal, especialmente pela continuidade das práticas e pelo uso de funções públicas no esquema.

Durante o cumprimento dos mandados, equipes também realizaram buscas em endereços ligados aos investigados, inclusive em locais relacionados às funções públicas exercidas por alguns deles.

Força-tarefa e investigação

A operação contou com apoio de unidades especializadas, como DRACCO, DENARC, 6ª DEIC, DRCOT e GOTE.

“O trabalho investigativo demonstrou a atuação estruturada e reiterada desse grupo, que utilizava ameaças, intimidação e até da condição funcional de alguns integrantes para constranger as vítimas e obter vantagem ilícita. A operação representa uma resposta firme da Polícia Civil contra práticas criminosas que violam a dignidade e a segurança das pessoas”, afirmou o delegado Wanderson Chaves de Queiroz.

As investigações seguem em andamento para identificar outros possíveis envolvidos.

Investigação mira grupo suspeito de extorsão e agiotagem / Divulgação PCTO
Grupo atuava em Palmas e Guaraí / Divulgação PCTO