A Executiva Estadual do Partido da Social Democracia Brasileira de São Paulo anunciou nesta segunda-feira (25) apoio à pré-candidatura do deputado federal Aécio Neves à Presidência da República nas eleições de 2026.
Em comunicado assinado pelo presidente estadual da sigla, Paulo Serra, o partido afirmou que uma possível candidatura de Aécio é considerada estratégica para o processo de reorganização e fortalecimento da legenda.
Conforme a nota, o PSDB paulista defende a construção de uma alternativa política distante da polarização entre os principais grupos do cenário nacional.
“O Brasil precisa voltar a discutir crescimento econômico, geração de empregos, Saúde, Educação, Segurança Pública e eficiência da máquina pública”, destaca trecho do comunicado.
A legenda também declarou que a pré-candidatura de Aécio Neves simboliza a busca por equilíbrio, experiência e compromisso com o futuro do país.
O apoio acontece em meio à perda de espaço político do PSDB nos últimos anos. O partido, que governou o país durante a gestão de Fernando Henrique Cardoso e protagonizou disputas presidenciais contra o Partido dos Trabalhadores por mais de 20 anos, enfrentou sucessivas derrotas eleitorais e redução de representatividade no Congresso Nacional.
Em São Paulo, considerado o principal reduto político do partido, a legenda não elegeu vereadores nas eleições municipais de 2024 e atualmente não possui representantes na Câmara Municipal da capital paulista.
No cenário estadual, o partido possui atualmente apenas duas deputadas na Assembleia Legislativa. Os demais integrantes migraram para o Partido Social Democrático, liderado por Gilberto Kassab.
Aécio Neves já ocupou os cargos de senador e governador de Minas Gerais. Em 2014, disputou a Presidência da República, mas acabou derrotado no segundo turno pela então presidente Dilma Rousseff, reeleita naquele ano. Atualmente, o mineiro atua como deputado federal.
Nos últimos anos, o tucano foi alvo de investigações e acusações relacionadas à corrupção, especialmente durante a Operação Lava Jato. Parte dos processos foi arquivada, enquanto em outros casos ele chegou a responder como réu. O parlamentar sempre negou qualquer irregularidade.
Em fevereiro, um encontro realizado durante café da manhã entre Gilberto Kassab e sete integrantes da federação PSDB-Cidadania na Assembleia Legislativa de São Paulo consolidou um movimento de saída de parlamentares que já vinha sendo articulado há cerca de um ano.
Na ocasião, seis deputados estaduais do Partido da Social Democracia Brasileira e um do Cidadania migraram para o Partido Social Democrático, legenda presidida por Kassab. Com isso, a federação perdeu espaço na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, deixando de ocupar a terceira maior bancada após décadas de domínio tucano na política paulista.
Hegemonia e perda de espaço
Criado em 1988 a partir de uma ala dissidente do MDB durante o período da Assembleia Constituinte, o PSDB sempre manteve forte ligação com o estado de São Paulo. Entre os principais fundadores da legenda estão Fernando Henrique Cardoso, Franco Montoro, Mário Covas e José Serra.
A partir de 1994, o partido venceu sete eleições consecutivas para o governo paulista. A sequência foi interrompida em 2022, com a vitória de Tarcísio de Freitas, do Republicanos. A derrota de Rodrigo Garcia marcou o agravamento de uma crise interna que já vinha sendo enfrentada pela sigla, intensificada por disputas envolvendo João Doria e outras lideranças tucanas.
A divisão interna fez com que o Partido da Social Democracia Brasileira desistisse de lançar candidatura própria à Presidência da República em 2022, algo inédito na história da legenda. Dois anos depois, outro reflexo do enfraquecimento partidário apareceu durante a janela eleitoral de 2024, quando oito vereadores tucanos da capital paulista deixaram o partido.
Nas eleições municipais, a sigla acumulou novos reveses: não conseguiu eleger prefeitos em nenhuma capital do país e ficou sem representantes na Câmara Municipal de São Paulo. No estado paulista, o número de prefeituras administradas pelo partido caiu de 173 para apenas 21.
Diante desse cenário, ganhou força no ano passado o debate sobre uma possível fusão partidária ou até mesmo a incorporação da legenda por outra sigla.