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Planeta se aproxima de limite crítico de aquecimento e pode superar 1,5°C até 2030

Relatório internacional mostra que o calor causado pelas atividades humanas continua aumentando e que o espaço restante para evitar níveis mais altos de aquecimento está diminuindo rapidamente. Pesquisa também aponta crescimento das ondas de calor marinhas e aceleração da elevação do nível do mar.

Por: Gustavo Eduardo
11/06/2026 às 07h30
Planeta se aproxima de limite crítico de aquecimento e pode superar 1,5°C até 2030

As atividades humanas elevaram o aquecimento global a 1,37°C acima dos níveis pré-industriais em 2025, e o planeta deve ultrapassar o limite crítico de 1,5°C em torno de 2030 caso as emissões de gases de efeito estufa continuem nos níveis atuais.

A conclusão é de uma nova edição dos Indicadores Globais de Mudança Climática (IGCC), iniciativa científica que atualiza anualmente alguns dos principais indicadores usados para acompanhar a evolução da crise climática.

🌡️ ENTENDA: O limite de 1,5°C é a meta internacional, estabelecida pelo Acordo de Paris em 2015, para conter o aquecimento global. Ele representa o aumento máximo seguro da temperatura média da Terra em relação aos níveis pré-industriais.

O estudo reúne mais de 70 pesquisadores de 17 países e busca preencher o intervalo entre os grandes relatórios do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), oferecendo uma fotografia mais atualizada do estado do clima global.

Segundo os autores, o principal sinal de alerta é que a Terra continua acumulando calor em ritmo acelerado.

Em outras palavras, mais energia está entrando no sistema climático do que saindo dele, o que favorece o aumento das temperaturas e desencadeia mudanças em diferentes partes do planeta, dos oceanos às calotas polares.

Os cientistas estimam que praticamente todo o aquecimento observado na última década foi provocado por atividades humanas.

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A média de aquecimento causada pela ação humana entre 2016 e 2025 chegou a 1,24°C, muito próxima da temperatura total observada no período.

O trabalho também mostra que as emissões globais de gases de efeito estufa continuam em níveis recordes.

Em 2024, elas alcançaram 56,8 bilhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente.

A maior parte dessas emissões ainda está ligada à queima de combustíveis fósseis, embora o desmatamento, a agropecuária e atividades industriais também tenham contribuição importante.

Cada vez menos margem para evitar o aquecimento

 

Um dos dados que mais preocupam os pesquisadores envolve o chamado orçamento de carbono, uma estimativa da quantidade de dióxido de carbono que ainda pode ser lançada na atmosfera antes que determinados limites de aquecimento sejam ultrapassados.

Segundo o estudo, no início de 2026 restavam cerca de 130 bilhões de toneladas de CO₂ disponíveis para manter a meta de 1,5°C ao alcance.

No ritmo atual de emissões, esse volume pode ser consumido em aproximadamente três anos.

O limite de 1,5°C foi estabelecido no Acordo de Paris como uma referência para reduzir os riscos associados às mudanças climáticas.

Embora um único ano acima desse valor não signifique automaticamente o descumprimento da meta, os cientistas avaliam que a tendência atual coloca o mundo muito próximo de ultrapassar esse patamar de forma duradoura.

 

Outro indicador que entrou pela primeira vez no relatório é o número de dias com ondas de calor marinhas. Os pesquisadores verificaram que esse tipo de evento mais do que triplicou entre 1991 e 2025.

Esses episódios ocorrem quando a temperatura da superfície do mar permanece muito acima da média por períodos prolongados. Segundo os autores, eles podem afetar ecossistemas marinhos, atividades econômicas ligadas ao oceano e até influenciar eventos climáticos extremos em áreas continentais.

O relatório também aponta que o nível médio dos mares atingiu um novo recorde em 2025, acumulando uma elevação de 23 centímetros desde 1901.

A expansão da água do mar devido ao aquecimento e o derretimento de gelo em terra estão entre os principais fatores por trás desse avanço.

Para os autores, os resultados reforçam que o clima continua mudando rapidamente em resposta às atividades humanas.

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